26 de jun. de 2010

Uma das minhas favoritas:


Cor do textoExpressões populares - De onde vem isso? (André Batista)

A CARNE É FRACA:
Trecho retirado da Bíblia - "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca". (Mt. 26:41).

VOTO DE MINERVA:
Orestes, filho de Clitemnestra, foi acusado pelo assassinato da mãe. No julgamento, houve empate entre os acusados. Coube à deusa Minerva o voto decisivo, que foi em favor do réu. Voto de Minerva é, portanto, o voto decisivo.

CASA DA MÃE JOANA:
Na época do Brasil Império, mais especificamente durante a minoridade do Dom Pedro II, os homens que realmente mandavam no país costumavam se encontrar num prostíbulo do Rio de Janeiro, cuja proprietária se chamava Joana. Como esses homens mandavam e desmandavam no país, a frase "casa da mãe Joana" ficou conhecida como sinônimo de lugar em que ninguém manda.

VÁ SE QUEIXAR AO BISPO:
Durante o Brasil Colônia, a fertilidade de uma mulher era atributo fundamental para o casamento, afinal, a ordem era povoar as novas terras conquistadas. A Igreja permitia que, antes do casamento, os noivos mantivessem relações sexuais, única maneira de o rapaz descobrir se a moça era fértil. E adivinha o que acontecia na maioria das vezes? O noivo fugia depois da relação para não ter que se casar. A mocinha, desolada, ia se queixar ao bispo, que mandava homens para capturar o tal espertinho.

CONTO DO VIGÁRIO:
Duas igrejas de Ouro Preto receberam uma imagem de santa como presente. Para decidir qual das duas ficaria com a escultura, os vigários contariam com a ajuda de Deus, ou melhor, de um burro. O negócio era o seguinte: colocaram o burro entre as duas paróquias e o animalzinho teria que caminhar até uma delas. A escolhida pelo quadrúpede ficaria com a santa. E foi isso que aconteceu, só que, mais tarde, descobriram que um dos vigários havia treinado o burro. Desse modo, conto do vigário passou a ser sinônimo de falcatrua e malandragem.

FICAR A VER NAVIOS:
Dom Sebastião, rei de Portugal, havia morrido na batalha de Alcácer-Quibir, mas seu corpo nunca foi encontrado. Por esse motivo, o povo português se recusava a acreditar na morte do monarca. Era comum as pessoas visitarem o Alto de Santa Catarina, em Lisboa, para esperar pelo rei. Como ele não voltou, o povo ficava a ver navios.

NÃO ENTENDO PATAVINAS:
Os portugueses encontravam uma enorme dificuldade de entender o que falavam os frades italianos patavinos, originários de Pádua, ou Padova, sendo assim, não entender patavina significa não entender nada.

CHEGAR DE MÃOS ABANANDO:
Há muito tempo, aqui no Brasil, era comum exigir que os imigrantes que chegassem para trabalhar nas terras trouxessem suas próprias ferramentas.
Caso viessem de mãos vazias, era sinal de que não estavam dispostos ao trabalho. Portanto, chegar de mãos abanando é não carregar nada.

SEM EIRA NEM BEIRA:
Os telhados de antigamente possuíam eira e beira, detalhes que conferiam status ao dono do imóvel. Possuir eira e beira era sinal de riqueza e de cultura. Não ter eira nem beira significa que a pessoa é pobre, está sem grana.

ABRAÇO DE TAMANDUÁ:
Para capturar sua presa, o tamanduá se deita de barriga para cima e abraça seu inimigo. O desafeto é então esmagado pela força. Abraço de tamanduá é sinônimo de deslealdade, traição.

O CANTO DO CISNE:
Dizia-se que o cisne emitia um belíssimo canto pouco antes de morrer. A expressão canto do cisne representa as últimas realizações de alguém.

ESTÔMAGO DE AVESTRUZ:
Define aquele que come de tudo. O estômago da avestruz é dotado de um suco gástrico capaz de dissolver até metais.

LÁGRIMAS DE CROCODILO:
É uma expressão usada para se referir ao choro fingido. O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, ele chora enquanto devora a vítima.

MEMÓRIA DE ELEFANTE:
O elefante lembra de tudo aquilo que aprende, por isso é uma das principais atrações do circo. Diz-se que as pessoas que se recordam de tudo tem memória de elefante.

OLHOS DE LINCE:
Ter olhos de lince significa enxergar longe, uma vez que esses bichos têm a visão apuradíssima. Os antigos acreditavam que o lince podia ver através das paredes.

FEITO NAS COXAS:
As primeiras telhas dos telhados nas casas aqui no Brasil eram feitas de Argila, que eram moldadas nas coxas dos escravos que vieram da África. Como os escravos variavam de tamanho e porte físico, as telhas ficavam todas desiguais devido aos diferentes tipos de coxas. Daí a expressão: fazendo nas coxas, ou seja, de qualquer jeito.

MARIA VAI COM AS OUTRAS
A expressão teve origem em Portugal. Dona Maria I, mãe de D. João VI (avó de D. Pedro I e bisavó de D. Pedro II), enlouqueceu de um dia para o outro. Declarada incapaz de governar, foi afastada do trono. Passou a viver recolhida e só era vista quando saía para caminhar a pé, escoltada por numerosas damas de companhia. Quando o povo via sua rainha levada pelas damas nesse cortejo, costumava comentar; “Lá vai D. Maria com as outras”.

SAIR À FRANCESA
Na França, no século 18, quem, pretendendo abandonar uma sala repleta de gente, fosse despedir-se dos convivas cometia um ato importuno, ao incomodar pessoas embrenhadas em conversas, passatempos, jogos ou amores agradáveis. Daí que se “saísse à francesa”, isto é, sem cerimônia, sem aviso prévio, sem dar conhecimento a ninguém. O costume generalizou-se por toda à parte, até que, mais tarde, veio a adquirir um sentido oposto, ou seja, de descortesia e falta de educação “.

DOR-DE-COTOVELO:
- Essa tristeza toda só pode ser dor-de-cotovelo.
A expressão “dor-de-cotovelo”, usada para se referir a alguém que sofreu uma decepção amorosa, causando tristeza ou ciúmes, tem sua origem na figura de uma pessoa sentada em um bar, com os cotovelos em cima do balcão enquanto toma uma bebida e lamenta a má sorte no amor.De tanto o apaixonado ficar com os cotovelos apoiados no balcão, eles iriam doer. A partir daí que surgiu a expressão “dor-de-cotovelo”.

ENTRAR COM O PÉ DIREITO:
- Quero entrar no ano novo com pé direito!
A tradição de dar sorte ao entrar em algum lugar com o pé direito é de origem romana. Nas grandes celebrações romanas, os donos das festas acreditavam que entrando com o esse pé, evitariam agouros na ocasião da festa. A palavra “esquerda” significa do latim, sinistro, daí já fica óbvia a crença do lado obscuro dos inocentes pés esquerdos. A partir daí, a tradição se espalho pelo mundo inteiro.

FAZER VAQUINHA:
- Vamos fazer uma vaquinha pro churrasco!
A expressão “fazer vaquinha” surgiu na década de 20 e tem sua relação de origem com o jogo do bicho e o futebol. Nas décadas de 20 e 30, já que a maioria dos jogadores de futebol não tinha salário, a torcida do time se reunia e arrecadava entre si, um prêmio para ser dado aos jogadores. Esses prêmios eram relacionados popularmente com o jogo do bicho. Assim, quando iam arrecadar cinco mil réis, chamavam a bolada de “cachorro”, pois o número cinco representava o cachorro no jogo do bicho. Como o prêmio máximo do jogo do bicho era vinte e cinco mil réis, e isso representava a vaca, surgiu o termo popular “fazer uma vaquinha”, ou seja, tentar reunir o máximo de dinheiro possível para um fim específico.

JURAR DE PÉS JUNTOS:
- Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu.
A expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, as quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para dizer nada além da verdade. Até hoje o termo é usado para expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.

MOTORISTA BARBEIRO:
- Nossa, que cara mais barbeiro!
No século XIX, os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba, mas também, tiravam dentes, cortavam calos, etc, e por não serem profissionais, seus serviços mal feitos geravam marcas. A partir daí, desde o século XV, todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão “coisa de barbeiro”. Esse termo veio de Portugal, contudo a associação de “motorista barbeiro”, ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira.

TIRAR O CAVALO DA CHUVA:
- Pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque não vou deixar você sair hoje!
No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia por o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: “pode tirar o cavalo da chuva”. Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa.

À BEÇA:
- O mesmo que abundantemente, com fartura, de maneira copiosa. A origem do dito é atribuída às qualidades de argumentador do jurista alagoano Gumercindo Bessa, advogado dos acreanos que não queriam que o Território do Acre fosse incorporado ao Estado do Amazonas.

DAR COM OS BURROS N’ÁGUA:
A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados. Daí em diante o termo passou a ser usado para se referir a alguém que faz um grande esforço para conseguir algum feito e não consegue ter sucesso naquilo.

GUARDAR A SETE CHAVES:
No século XIII, os reis de Portugal adotavam um sistema de arquivamento de jóias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino.
Portanto eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico atribuído a ele, desde a época das religiões primitivas. A partir daí começou-se a utilizar o termo “guardar a sete chaves” para designar algo muito bem guardado.

OK:
A expressão inglesa “OK” (okay), que é mundialmente conhecida para significar algo que está tudo bem, teve sua origem na Guerra da Secessão, no EUA. Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma morte entre a tropa, escreviam numa placa “0 Killed” (nenhum morto), expressando sua grande satisfação, daí surgiu o termo “OK”.

ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS:
Existe uma história não comprovada, de que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou por entregar Jesus dentro de suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição. Nunca ninguém ficou sabendo se acharam as botas de Judas. A partir daí surgiu à expressão, usada para designar um lugar distante, desconhecido e inacessível.

PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA:
A história mais aceitável para explicar a origem do termo é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados para Deus como forma de redenção de pecados.
Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou se lamentando e pensando na morte da bezerra. Após alguns meses o garoto morreu.

PARA INGLÊS VER:
A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, essas leis eram criadas apenas "para inglês ver". Daí surgiu o termo.

RASGAR SEDA:
A expressão que é utilizada quando alguém elogia grandemente outra pessoa, surgiu através da peça de teatro do teatrólogo Luís Carlos Martins Pena. Na peça, um vendedor de tecidos usa o pretexto de sua profissão para cortejar uma moça e começa a elogiar exageradamente sua beleza, até que a moça percebe a intenção do rapaz e diz: “Não rasgue a seda, que se esfiapa.”

O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER:
Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D`Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imagina era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver.

ANDA À TOA:
Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está à toa é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar.

QUEM NÃO TEM CÃO CAÇA COM GATO:
Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se dizia quem não tem cão caça como gato, ou seja, se Esgueirando, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos.

DA PÁ VIRADA:
Mas a origem da palavra é em relação ao instrumento, a pá. Quando a pá está virada para baixo, voltada para o solo, está inútil, abandonada decorrentemente pelo homem vagabundo, irresponsável, parasita.

NHENHENHÉM:
Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, eles não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer ``nhen-nhen-nhen``.

VAI TOMAR BANHO:
Em "Casa Grande & Senzala", Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como corolário dos contatos comerciais, o europeu se contagiou de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja. Ora, o índio não conhecia a sífilis e se lavava da cabeça aos pés nos banhos de rio, além de usar folhas de árvore para limpar os bebês e lavar no rio as redes nas quais dormiam. Ora, o cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com freqüência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem "tomar banho".

ELES QUE SÃO BRANCOS QUE SE ENTENDAM:
Esta foi das primeiras punições impostas aos racistas, ainda no século XVIII. Um mulato, capitão de regimento, teve uma discussão com um de seus comandados e queixou-se a seu superior, um oficial português. O capitão reivindicava a punição do soldado que o desrespeitara. Como resposta, ouviu do português a seguinte frase: "Vocês que são pardos, que se entendam". O oficial ficou indignado e recorreu à instância superior, na pessoa de dom Luís de Vasconcelos (1742-1807), 12° vice-rei do Brasil. Ao tomar conhecimento dos fatos, dom Luís mandou prender o oficial português que estranhou a atitude do vice-rei. Mas, dom Luís se explicou: Nós somos brancos, cá nos entendemos.

A DAR COM O PAU:
O substantivo "pau" figura em várias expressões brasileiras. Esta expressão teve origem nos navios negreiros. Os negros capturados preferiam morrer durante a travessia e, para isso, deixavam de comer. Então, criou-se o "pau de comer" que era atravessado na boca dos escravos e os marinheiros jogavam sapa e angu para o estômago dos infelizes, a dar com o pau. O povo incorporou a expressão.

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO BATE ATÉ QUE FURA:
Um de seus primeiros registros literário foi feito pelo escritor latino Ovídio (43 a.C.-18 d.C), autor de célebres livros como A arte de amar e Metamorfoses, que foi exilado sem que soubesse o motivo. Escreveu o poeta: "A água mole cava a pedra dura". É tradição das culturas dos países em que a escrita não é muito difundida formar rimas nesse tipo de frase para que sua memorização seja facilitada. Foi o que fizeram com o provérbio portugueses e brasileiros.

André Luciano Batista
Pesquisador Compulsivo
Porto Alegre – RS - Brasil
andreldab@hotmail.com



Expressões interessantes (Deonisío da Silva)

A ARTE É UMA MENTIRA QUE REVELA UMA VERDADE

Frase atribuída a Pablo Ruiz Blasco Picasso (1881-1973), célebre pintor e escultor espanhol. Foi um dos mais talentosos artistas da sua época, com uma obra marcada por fases bem distintas: a época azul, o cubismo, o surrealismo, a arte abstrata e o expressionismo. Picasso influenciou consideravelmente a arte moderna. Algumas de suas obras são verdadeiros emblemas de nosso século, como no famoso quadro Guernica. Embora haja controvérsias nas interpretações, os críticos viram no famoso quadro sua inconformidade diante da destruição da cidade de mesmo nome, em 1937, pela aviação alemã, que apoiava as tropas do general Francisco Franco (1892-1975) durante a guerra civil espanhola.

À BEÇA

Significando em grande quantidade, a origem desta expressão é atribuída à profusão de argumentos utilizados pelo jurista sergipano Gumercindo Bessa ao enfrentar Rui Barbosa (1849-1923) em famosa disputa pela independência do então território do Acre, que seria incorporado ao Estado do Amazonas. Quem primeiro utilizou a expressão foi Francisco de Paula Rodrigues Alves (1848-1919), presidente do Brasil de 1902 a 1906, depois reeleito, mas sem poder assumir por motivos de saúde, admirado da eloqüência de um cidadão ao expor suas idéias: "O senhor tem argumentos a bessa". Com o tempo, o sobrenome famoso perdeu a inicial maiúscula a os dois ‘esses’ foram substituídos pela letra ‘cê’.

A BOM ENTENDEDOR, MEIA PALAVRA BASTA

Frase proverbial, este dito recomenda a concisão no falar, nem sempre aceita pelos latinos, cuja exuberância vai além da fala, estendendo-se também aos gestos. Entretanto, seus dois registros mais famosos foram feitos por dois autores espanhóis: Fernando Rojas (1465-1541), na célebre comédia A celestina, Miguel de Cervantes (1547-1616), em Dom Quixote, mas com a variante "A buen entendedor, breve hablador". Os franceses também excluíram o verbo do ditado, sendo corrente entre eles a expressão "À bom entendeur, demi mot". Exemplos de que não parecemos bons entendedores são nossas leis, inclusive nossa constituição. No Brasil há leis definindo, para efeitos de comercialização, o que é ovo e que tipo de multa deve levar um carroceiro na cidade de São Paulo!

A DAR COM UM PAU

Esta frase, indicando abundância, nasceu no nordeste. Vindas da África, milhares de aves de arribação, extenuadas pela travessia do atlântico, pousam na lavouras em busca de alimentos. Chegam cansadas e famintas, quase desabando sobre o solo. Os sertanejos, porém, não tem nada com isso e aqueles bandos apresentam séria ameaça às plantações. Ou eles matam as aves ou depois não terão o que comer. Desaparelhados para o combate, antigamente os agricultores matavam os pobres pássaros a pau, e não aparecia nenhum ecologista para defendê-los. O escritor Joaquim José da França Júnior (1838-1890), patrono da cadeira 12 da academia Brasileira de Letras, registrou a frase famosa na comédia Direito por linhas tortas: "A mulher tomou sulfatos a dar com um pau".

A EMENDA SAIU PIOR DO QUE O SONETO

Querendo uma avaliação, certo candidato a escritor apresentou soneto de sua lavra ao poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805) pedindo-lhe que marcasse com cruzes os erros encontrados. O escritor leu tudo, mas não marcou cruz nenhuma, alegando que elas seriam tantas que a emenda ficaria ainda pior do que o soneto. A autoridade do mestre era incontestável. Bocage levou essa forma poética a tal perfeição que fazia o que bem queria com um soneto, tornando-se muito popular, principalmente em improvisos satíricos e espirituosos, pelos quais é conhecido.

A MAIORIA DOS HOMENS SE APAIXONA POR GILDA, MAS ACORDA COMIGO

Esta frase, dita pela primeira vez pela atriz americana Rita Hayworth (1917-1987), virou metáfora de relações amorosas baseadas na fantasia e que depois caem na real. Rita construiu uma imagem voluptuosa em seus filmes, sobretudo naqueles rodados na segunda guerra mundial, que serviam de entretenimento aos soldados aliados. Deusa do amor nos anos 40, era suave, sensual e charmosa. Ótima dançarina e intérprete, a atriz encontrou boas razões para proferir a frase famosa. Seus casamentos não davam muito certo, mas ela ia persistindo. Teve cinco maridos, entre eles o cineasta americano Orson Welles (1915-1985).

AMIGOS, PERDI O DIA

O imperador romano Tito Flávio Vespasiano (39-81), tido por seus contemporâneos como "a delícia do gênero humano" por reiterar que todos os dias deveria praticar-se uma boa ação, numa espécie de escoteiro avant la lettre, é autor desta frase, exclamada ao final de cada dia em que não pudera cumprir seu propósito. Mas Tito foi também o responsável pela guerra travada pelos romanos contra os judeus, uma das mais sangrentas de toda a história, que resultou na destruição do templo de Jerusalém, do qual só restou o pedaço de uma parede, hoje conhecido com o nome de Muro das Lamentações, onde os judeus costuma orar.

AO DEUS DARÁ

Esta famosa frase serviu originalmente de resposta de quem não queria dar esmolas. Homens duros de coração respondiam aos mendigos que lhe estendiam a mão: Deus dará. Eles não. Quem dependia da caridade pública ficava em má situação, ao Deus dará. A expressão cristalizou-se de tal forma que, no século XVII, um negociante português que vivia no Recife, de tanto proferir a frase, passou a tê-la acrescentada ao próprio nome. Ficou conhecido como Manuel Álvares Deus Dará. Seu filho, Simão Álvares Deus Dará, foi provedor-mor da fazenda do Brasil.

AS PERNAS NÃO SÃO TÃO BONITAS. APENAS SEI O QUE FAZER COM ELAS

Frase pronunciada pela famosa atriz alemã Marlene Dietrich (1901-1992), celebérrima por suas lindas pernas, mostradas por exemplo em O anjo azul, primeiro filme alemã falado, que a consagrou internacionalmente em 1931. Fez também A Vênus loira, A marca da maldade e Marlene, este um documentário de 1984. Nascida em Berlim, naturalizou-se americana em 1939, recusando-se a voltar para à Alemanha por causa do nazismo. Além de bela, muito chique e cheia de mistérios, Marlene fez uma carreira de sucesso como cantora. Morreu às vésperas de ser homenageada pelo festival de cinema de Cannes, na França.

A SELEÇÃO É A PÁTRIA DE CALÇÕES E CHUTEIRAS

Definição tão nacionalista, sumária, apaixonada e inapelável só poderia mesmo ter vindo do arsenal de frases memoráveis do célebre dramaturgo e cronista Nelson Falcão Rodrigues (1912-1980). Senhor de um estilo inconfundível não apenas no teatro, mas também nas crônicas, teve sempre com o futebol uma relação apaixonada. Seus comentários esportivos cultivavam, por vezes, o paradoxo. Vituperando jornalistas que faziam análises lógicas, racionais, ele os chamava de idiota da objetividade. Em 1970, quando a seleção deixou o Brasil sob vaias para ir buscar o tricampeonato no México, Nelson, um dos poucos a acreditar naquele time glorioso, sentenciou: " A seleção deixou o exílio".

A TERRA LHE SEJA LEVE

Esta frase é tradução perfeita da sentença latina "Sit tibi terra levis", que os romanos inscreviam nos túmulos, às vezes apenas com as iniciais S.T.T.L., por considerarem que aos mortos tudo se deveria perdoar. Machado de Assis (1839-1908) faz pequena variação desta frase no romance Dom Casmurro, levando Bentinho, o marido de Capitu, a perdoar a mulher e o amigo Escobar, que conjuntamente o traíram. Apenas de todas as evidências, vários críticos insistem em ignorar um dos adultérios mais comprovados do mundo, o que fez o escritor Otto Lara Rezende (1922-1992), entre outros, publicar famosos artigos sobre o tema, vituperando a obtusidade. Que a terra seja leve também para os que interpretam textos de forma equivocada, às vezes até em livros ditos didáticos.

BATEU AS BOTAS

Esta frase, indicando que o sujeito morreu, é uma variante das tradicionais "Esticou as canelas", "Abotoou o paletó", "Partiu desta para melhor". O curioso, porém, é que se aplica apenas ao morto adulto, do sexo masculino, que tenha o costume de andar de botas ou ao menos calçado. O sapato tem sido símbolo de qualificação social ao longo de nossa história, tendo partilhado seu prestígio com certa marcas de tênis, em busca dos quais adolescentes delinqüentes chegam a matar. Provavelmente bate as botas ao morrer alguém de certas posses, ao menos remediado. Outros morto apenas esticam as canelas ou parte desta para melhor. No segundo caso, partem com estilo, fazendo dupla elipse, já que está subentendido que partiram desta para outra vida, que os comentadores antevêem mais favorável a quem partiu. Dependendo da herança, sua partida é mais favorável para quem ficou. As origens da frase residem no bom trato despedindo aos mortos, posto arrumadinhos nos caixões, com o paletó abotoado. Como, porém, as mulheres passaram a usar roupas semelhantes às dos homens, também elas podem abotoar o paletó à triste hora da partida. A pergunta, entretanto, permanece: triste para quem? Sábios, os latinos cunharam outra frase: "Requiescat in pacem" (descanse em paz). E há um emblema para as cerimônias da morte, o Requiem (Descanso). Um dos mais célebres é o de Mozart.

CAIR NA GANDAIA

Cair na gandaia é variação de andar à e na gandaia e se aplica a quem leva vida de vadiagem, sem responsabilidade, viajando para muito longe, por muito tempo, sem dar explicações a ninguém. Pode ter havido influência da grafia equivoca de Catai, na Cochinchina, esta última com o significado de lugar muito distante. Catai passou a Gadai e daí a Gandaia. Viver na gandaia equivale a não trabalhar, entregar-se ao ócio. Gandaiar é também o ofício do trapeiro, segundo nos informa Raimundo Magalhães Júnior, que bisbilhota os lixos à procura de algo que lhe seja útil. Gandaia pode ter vindo do espanhol gandaya, derivação de gandir, comer. Os árabes, que ficaram sete séculos na Península Ibérica, têm o vocábulo gandur, peralta, travesso. Se o vocábulo é de origem controversa, a frase que o aproveita, entretanto, não deixa dúvidas sobre sua aplicação contemporânea: vive na gandaia quem não tem o que fazer. À vezes, compulsoriamente, como ocorre aos desempregados, cujo número aumenta de forma preocupante nas ditas economias modernas.

COMER MORTADELA E ARROTAR PERU

Esta frase, vituperando quem se gaba do que não é, não tem ou não faz, utiliza metáfora culinária que opõe comida de pobre, a mortadela, a prato de rico ou ao menos remediado, que pode comer peru, carne de melhor qualidade. Há também algumas variantes que utilizam outro tipo de comparações, como a de comer feijão e arrotar caviar, comer sardinha e arrotar pescado. A eructação pela boca dos gazes do estômago, provindo de seus afazeres da digestão, é ansiosamente esperada pelas mães após a administração da mamadeira, mas intolerada nos adultos por ferir regra de etiqueta. Em outras culturas, porém, arrotar à mesa do anfitrião indica gesto de delicadeza e apreço pelo prato que ele ofereceu.

CONVERSA MOLE PARA BOI DORMIR

Significa assunto sem importância, esta frase nasceu quando o boi era tão importante que dele só não aproveitava o berro. Tratado quase como pessoa, com ele os pecuaristas conversavam, não, porém, para fazê-lo dormir. Nas touradas, quando o boi ainda é touro, até sua fúria compõe o espetáculo. Na copa de 1950, o Brasil venceu Espanha por 6 a 1 e quase 200 mil pessoas cantaram touradas em Madri, de Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, que termina com este verso: "Queria que eu tocasse castanholas e pegasse um touro a unha/ caramba, caracoles/ não me amoles/ pro Brasil eu vou fugir/ isso é conversa mole/ para boi dormir".

DAR UMA BANANA

Dar uma banana para alguém é frase não só pronunciada, mas seguida do gesto de apontar o cotovelo para o interlocutor. A frase é comum no Brasil, em Portugal, Espanha e Itália, com o mesmo significado de vingança, ofensa ou desabafo. Mas a banana na expressão é ingrediente do português falado no Brasil, já que as outras línguas não ilustram o gesto com frutas. Madame Pompadour (1721-1764) encomendou um quadro ao pintor francês Joshep-Marie Vien (1716-1809) intitulado La marchand d´amours em que um dos amores aparece dando uma banana.

DEPOIS DE MIM, O DILÚVIO

Esta frase é atribuída ora ao rei Luís XV, o Bem-Amado (1710-1774), ora sua célebre amante, a marquesa de Pompadour (1721-1764), cujo nome era Antonieta de Poisson. A madame era onze anos mais velha do que o rei, discrepância de idade raramente encontrada entre pessoas de sua condição, que por norma amavam e amam homens mais velhos do que elas. O rei, que tinha um relacionamento problemático com os deputados, teria exclamado tal frase diante do parlamento francês, numa de suas notórias crises com o poder legislativo. Sua amante teria dito a mesma frase quando posava para um retrato que estava sendo feito por seu pintor preferido, entristecido pelas notícias de uma derrota sofrida pelo rei, que protegia a ambos. O dilúvio, porém, não veio nem depois dele, nem depois dela, nem depois de outros arrogantes que pronunciaram a mesma frase.

DEU DE MÃO BEIJADA

Com o significado de entrega espontânea, esta frase nasceu do rito empregado nas doações ao rei ou ao papa. Em cerimônia de beija-mão, os fiéis mais abastados faziam suas ofertas, que podiam ser terra, prédios e outras dádivas generosas. O papa Paulo IV (1476-1559), em documento de 1555, aludiu a esses meios regulares de provento sem ônus, dividindo-os em oblações ao pé do altar e de mão beijada. Desde então a frase tem sido aplicada para simbolizar favorecimentos. Nunca de mão beijada, em 1998 foi a sexta vez que o Brasil disputou a final de uma copa do mundo.

DEU UM NÓ

As origens desta frase provêm de Portugal e da Índia. Em Portugal, dar um nó era casar. E, como os vínculos do matrimônio católico, além de indissolúveis, eram e são perpétuos, quando se dizia que alguém tinha dado um nó se indicava que se havia casado. Na Índia, o nó era explícito, pois se costumava dar nó nas caudas das roupas da noiva e do noivo. Passou depois a indicar situações complicada, mas ainda como casar aparece em As variedades de Proteu, de Antônio José da Silva, o judeu (1705-1739): "E antes te aperte o nó do Himeneu/ do que na garganta te aperte outro nó".

DIVIDIR PARA GOVERNAR

Esta é uma das recomendações do célebre político e historiador italiano Niccolò Machiavelli (1469-1527), mais conhecido entre nós por Maquiavel, donde o adjetivo maquiavélico para caracterizar algo sem ética, feito por quaisquer meio, visando-se apenas aos fins. Suas idéias sobre o poder estão mais bem expostas num livro clássico, O príncipe. Os conselhos aos governantes são de um cinismo espantoso. Esta frase desdobra-se em prescrições desconcertantes: aos subordinados não se pode permitir que se reúnam, se conheçam e se amem. Seus outros livros incluem uma peça de teatro, A mandrágora, já encenada no Brasil.

É A OVELHA NEGRA DA FAMÍLIA

A história desta frase nasceu do trabalho de pastoreio. Em todo rebanho sempre existe aquele animal de trato difícil, insubmisso, que não acompanha o outros. Está-se cuidando das ovelhas, protegendo-as dos lobos, providenciando-lhes os melhores pastos, e de repente uma delas se desgarra. Essa é a ovelha negra. Por metáfora, a frase passou a ser aplicada nas famílias ou em outras comunidades aos filhos ou afilhados que não têm bom comportamento. Na Ilíada, Homero (século VI a.C. ) relata o sacrifício de uma ovelha negra como garantia do pacto celebrado entre Páris e Menelau, que restou na Guerra de Tróia. Mas ela não foi punida por mau comportamento. Como tantas negras, ela era inocente.

E EU ESTOU POR ACASO NUM LEITO DE ROSAS?

Cuauthémoc, também grafado Guatimozín (1497-1524), foi o último imperador dos astecas. Seu tio havia derrotado o conquistador espanhol Henán Cortés (1485-1547) na famosa Noite Triste. O derrotado, porém, reuniu as tribos descontentes com o domínio asteca e, à frente delas e de um pequeno grupo de espanhóis, venceu definitivamente o inimigo, conquistando o México. Informado de que o soberano guardava grandes tesouros em seu palácio, submeteu-o e a um dos seus ministro à tortura pelo fogo. Os dois se recusaram a falar e, quando o ministro se queixou ao imperador das dores das labaredas, este pronunciou a frase que ficaria famosa. Três anos mais tarde, o heróico soberano foi enforcado, acusado de conspirar contra os espanhóis.

É GENTE DE MEIA-TIGELA

Em Portugal, nos tempos monárquicos, havia vários tipos de nobreza, entre os quais ganhavam destaque a nobreza territorial e a de títulos. Habitavam os palácios, porém, diversos rapazes que, dados aos serviços domésticos que executavam para autoridades, tinham direito a rações, prescrita nos livro da cozinha del rei, diligenciada pelo veador, superior do mordomo-mor. Tão logo chegavam à corte para trabalhar, moços vindos do interior eram tratados com desprezo pelos que já moravam no palácio. Não tendo direito ainda a moradia, recebiam apenas alimentação e por isso eram tratados com ironia pelos mais antigos como fidalgos de meia-tigela. Fidalgos de meia-tigela jamais quebrariam a tigela, não porque somente dispusessem da metade dela, mas porque apenas os grandes fidalgos podiam quebrar a tigela por ocasião de ritos importantes.

ELE SÓ PENSA NAQUILO

Esta frase ilustra a obsessão no mais alto grau por determinado assunto, pessoa, sentimento. Entretanto, consagrou-se no Brasil com um tempero licencioso, consolidado em programa de televisão do jornalista, ator, humorista e escritor Francisco Anísio de Oliveira Paula Filho, mais conhecido como Chico Anísio. ‘Aquilo’ funciona no português coloquial como eufemismo, suavizando palavra ou expressão ao substituí-la por outras mais polidas. A frase ficou ainda mais famosa, porém, como divertido bordão, repetido a cada programa da Escolinha do professor Raimundo pela atriz Zezé Macedo. E logo a frase caiu no gosto popular. À semelhança de outros bordões, foi incorporado ao nosso patrimônio de frases célebres.

É MAIS FÁCIL ENGANAR A MULTIDÃO DO QUE UM HOMEM SÓ

Esta frase, de proverbial sabedoria, foi escrita por Heródoto (484-420 a.C.), o Pai da História. Poucos historiadores modernos têm a graça de seu estilo, marcado pelos relatos de acontecimentos e lendas que põem em contraste a civilização grega e os bárbaros - egípcios, medos e persas: A frase deve ter-lhe brotado das muitas observações que fez entre esses povos, constatando como os grandes generais, usando a espada e a retórica, submetiam cidades inteiras, mas expunham sua franqueza num simples diálogo com um filósofo.

É UM PEQUENO PASSO PARA O HOMEM, MAS UM PASSO GIGANTESCO PARA A HUMANIDADE

Neil Armstrong disse esta frase famosa ao descer no mar da tranqüilidade e tornar-se o primeiro homem a caminhar na superfície da Lua. Eram 5h56min56s do dia 21 de julho de 1969 e o mundo inteiro estava de olho na televisão, que transmitia ao vivo. O segundo homem a pisar na Lua, acompanhando o comandante do módulo Eagle (águia, em inglês ) foi Edwin Aldrin Jr. Enquanto isso, na nave-mãe, a Apollo 11, o terceiro deles, Michael Collins, tornou-se o mais solitário dos homens, pois, quando estava do lado escuro da Lua, ficava sem comunicação nenhuma: nem com os dois do módulo, nem com o resto da humanidade aqui embaixo. Os três tinham a mesma idade: 39 anos.

É UM PÉ-RAPADO

No Brasil colonial, pés-rapados eram trabalhadores que produziam riqueza na lavoura e nas minas. Com seu trabalho, o rei português Dom João V (1689-1750) enchia as burras monárquicas de ouro e diamantes vindos do Brasil. Gastou fortunas em doações a ordens religiosas e foi gigantesco o esbanjamento que garantiu a vida luxuosa da corte, a ponto de o seu reino tornar-se a maior nação importadora européia. Mas erigiu também museus, hospitais e a casa da moeda, além de providenciar a canalização do rio Tejo. Tudo pago pelos pés-rapados brasileiros.

FALAR PELO COTOVELO

Esta frase significa ‘falar demais’. Tem origem nos gostos de faladores contumazes, que procuram tocar os interlocutores com os cotovelos em busca de maior atenção. O primeiro a registrar a expressão foi o escritor latino Horácio (65-8 a.C.), numa de suas sátiras. O folclorista brasileiro Luís de Câmara Cascudo (1898-1986) referiu-se ao costume das esposas no sertão nordestino de cutucar os maridos à noite, no leito conjugal, buscando reconciliação depois de alguma briga diurna. Entre os estadistas, quem mais fala pelos cotovelos é o presidente de cuba, Fidel Castro.

FORAM SOMENTE QUATRO OU CINCO GATOS-PINGADOS

A origem desta frase remonta a uma tortura procedente do Japão que consistia em pingar óleo fervente em pessoas ou animais, especialmente gatos. Os portugueses faziam pouco isso, mas há várias narrativas ambientais na Ásia que mostram pessoas tendo os pés mergulhados num caldeirão de óleo quente, quando não o corpo todo. Depois do suplício, assistido por poucas pessoas, tal a crueldade, passou a denominar pequena assistência, sem entusiasmo ou curiosidade, para qualquer evento. James Clave II (1920-1994) narrou o costume no livro Xogum, transposto para minissérie de televisão em 1980, já exibida também no Brasil, com Thoshiro Mifume num dos principais papéis.

GANHARÁS O PÃO COM O SUOR DE TEU ROSTO

Muito utilizada por oradores e por escritores de todos os tempos, e de uso bastante freqüente em alusão ao trabalhado, de acordo com o texto do Evangelho esta frase foi pronunciada originalmente por Deus ao expulsar Adão e Eva do paraíso terrestre. Ela foi dirigida ao primeiro homem, coroando um processo sumário conduzido por Deus que culminou em três sentenças gravíssimas. As outras duas foram dirigidas ao demônio, representado pela serpente, e a Eva. A serpente foi condenada a arrastar-se eternamente sobre o ventre, e as mulheres, a passar pelos sofrimentos no partos.

HOUVE MUITOS PAPAS E UM ÚNICO MICHELANGELO

Esta frase foi pronunciada pela primeira vez pelo célebre pintor, escultor, arquiteto e poeta italiano Michelangelo Buonarotti (1475-1564), autor de algumas das principais obras-primas da arquitetura e da arte sacra em todos os tempos, entre as quais se destacam a cúpula da Basílica de São Pedro, em Roma, e os famosos afrescos da capela Sistina. O artista vivia às turras com o papa Júlio II (1443-1513), que, entretanto, protegeu, além de Michelangelo, outros grandes pintores e arquitetos, como Rafael (1483-1520) e Bramante (1444 -1514), e foi numa de suas brigas com o sumo pontífice que pronunciou a frase que ficaria famosa. Ao ouvir a frase, o papa deu uma bolacha na face do artista.

INÊS É MORTA

Personagem histórica e literária, celebrada em Os lusíadas, de Luís de Camões (1524-1580), Inês de Castro (1320-1355) teve um caso com o príncipe Dom Pedro (1320-1367), com quem teve três filhos. Por reprovar o romance, a casa real condenou a dama castelhana que vivia na corte portuguesa à morte por decapitação. Ela literalmente perdeu a cabeça por um homem. Quando já era o oitavo rei de Portugal, Dom Pedro deu-lhe o título de rainha. Mas àquela altura logicamente isso de nada adiantava: Inês já estava morta. A frase passou a significar a inutilidade de certas ações tardais. É o título de romance do mineiro Roberto Drummond.

MAS ISTO FALA!

Exclamação atribuída a Dom Pedro II ao experimentar o aparelho apresentado pelo físico e professor de surdos-mudos Alexandre Grahan Bell (1847-1922), um dos inventores do telefone, em 1876. Nosso último monarca e também o derradeiro da América costumava dar uma curiosa atenção às novas tecnologias, ciências e letras no meio século em que governou e reinou no então Império do Brasil. Mas ficou com o telefone quase só para ele, de tão interessante que o considerou.

MEU REINO POR UM CAVALO

O dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare (1564-1616) criou um teatro cheio de reis dramáticos. Em suas peças, o poder está sempre presente e os elementos políticos cumprem funções decisivas. São célebres muitas frases proferidas por seus personagens, como "Ser ou não ser, eis a questão" , "Há algo de podre no reino da Dinamarca" e "Meu reino por um cavalo". Esta última é pronunciada duas vezes pelo rei usurpador, em suas duas únicas falas na cena quatro do quinto ato da peça Ricardo III, ao perder seu cavalo e ser derrotado pelo duque de Richmond na batalha de Bosworth.

MISTURAR ALHOS COM BUGALHOS

Frase que sintetiza confusão, é de uso corrente na linguagem coloquial desde os tempos dos primeiros cultivos do alho, erva de que se aproveita o bulbo, principalmente como tempero. Os namorados, entretanto, procuram evitar pratos com tal condimento, já que o beijo fica mais adequado ao trato com vampiros e não com os amados, dado ao cheiro pouco agradável advindo de sua metabolização no organismo. Com o sentido de coisas desconexas e trapalhadas, foi registrada por João Guimalhões Rosa num de seus contos: "O senhor pode às vezes distinguir alhos de bugalhos, e tassalhos de borralhos, e vergalhos de chanfalhos, e mangalhos... Mas, e o vice-versa?" Com sua escrita plena de complexidades e sutilezas, o maior escritor brasileiro do século XX misturou muito mais do que alhos com bugalhos, criando novas palavras ao manter alho como sufixo de diversas outras, aproveitando a coincidência fonética de ‘bugalho’, do celta bullaca (conta grande de rosário, noz), rimar com alho, além de designar coisa parecida na forma.

NÃO SABE NEM O DÓ, RÉ, MI

Para tachar alguém da analfabeto, diz-se que "não sabe nem o ABC". A frase serve para designar quem nada entende de música. As denominações para as notas foram dadas pelo musicólogo italiano Guido D’Arezzo (990-1050), que se inspirou nas primeiras sílabas de um hino a São João, o Evangelista, composto em latim por um cantor de igreja que estava resfriado. Nele o cantor pedia ao santo que lhe devolvesse a voz. Os seis versos começavam com ut, re, mi, fa, sol, la. A primeira nota mudou para dó, permanecendo ut apenas para os eruditos. E a última, si, foi formada com as iniciais do nome do santo em latim: Sancte Joannes. Em latim, o ‘jota’ tem som de ‘i’. A oração tem o seguinte teor: "Ut queant laxis/ Resonare fibris/ Mira gestorum/ Famili tuorum/ solve polluti/ Labii reatum/ Sanctre Joannes" ("Purifica os nossos lábios culpados, a fim de que teus servos possam celebrar a plena voz as tuas maravilhas, ó São João").

O ESCRITOR É IRMÃO DE CAIM E PRIMO DISTANTE DE ABEL

Esta frase, inspirada na história bíblica de Caim - filho mais velho de Adão e Eva, que matou o irmão Abel -, é o penúltimo haicai da série de 123 que constam de um folheto distribuído a algumas pessoas em 1993 pelo escritor curitibano Dalton Trevisan e posteriormente reunidos em livro publicado pela Editora Record com o título de Ah, é? Conciso, lacônico, avesso a entrevista, o ficcionista de reconhecido talento tem espelhado essa concepção amarga da literatura nos seus mais de 20 livros publicados, que lhe valeram prêmios e traduções para diversas línguas.

O REAL NÃO ESTÁ NEM NA SAÍDA NEM NA CHEGADA: ELE SE DISPÕE PARA A GENTE É NO MEIO DA TRAVESSIA

Eis uma frase que poderia ser inscrita na nova moeda brasileira, o real. É da autoria do grande escritor mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967). Foi profecia pelo jagunço letrado Riobaldo no célebre Grande Sertão: veredas, publicado pela primeira vez em 1956 e levado à televisão com Bruna Lombardi no papel, misterioso e repleto de sutis complexidades, de Diadorim. Guimarães Rosa recomendava a quem já tinha lido o livro que não revelasse o grande segredo do romance, envolvendo Riobaldo e Diadorim, porque, como sugere a frase, no desfecho do romance é que os leitores entendem melhor algumas de suas passagem mais memoráveis.

O SENHOR COMBINOU COM OS ADVERSÁRIOS?

Esta frase lendária entrou para o folclore do futebol como tendo sido dita por Garrincha (1933-1983) após ouvir a preleção do técnico Vicente Feola (1909-1975) sobre o esquema de jogo contra a então União Soviética na Copa de 1958. Garrincha, tido por simplório, mas um dos maiores jogadores de todos os tempos, fez uma pergunta que, por sua lógica absurda, desconcertou a todos. Segundo ele, do modo como o técnico explicava, para o esquema dar certo era indispensável a ajuda dos adversários. No primeiro minuto de jogo, Garrincha esqueceu os planos, driblou meio mundo e chutou na trave. Diante do carnaval que fez, a derrota por 2 a 0 saiu barata a URSS.

PENTEAR MACACOS

Esta frase, proferida como ofensa, é adaptação brasileira de um provérbio português: "Mau grado haja a quem asno penteia". Na tradição de Portugal, pentear burros e jumentos seria tarefa menor, quase desnecessária. Provavelmente o verbo significava escovar, um luxo para animais de carga. Mas no século XVIII, o animal já havia sido substituído por bugio em Portugal e por macaco no Brasil, tal como aparece em documentos de 1756 assinado pelo rei Dom José (1714-1777), que deve ter penteado muitos macacos, já que quem exercia o poder era o marquês de Pombal (1699-1782), que, inclusive, transferiu a capital do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro. A expressão está registrada por Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) em Locuções tradicionais do Brasil.

PÔR EM PRATOS LIMPOS

O primeiro restaurante foi aberto na frança em 1765. Estabeleceu-se desde o início que a conta seria paga após a pessoa comer, ao contrario do que depois veio a acontecer com os lanches rápidos. Quando o dono ou o garçom vinha cobrar a conta e o cliente ainda não havia feito a refeição, os pratos limpos eram a prova que ele nada devia. A frase passou a servir de metáfora na resolução de conflitos. Quem gostava de pôr tudo em pratos limpos, com "a alma lavada e enxugada", era o personagem Odorico Paraguaçu, criado por Dias Gomes em O bem-amado e vivido por Pelópidas Gracindo, mais conhecido como Paulo Gracindo (1911-1995).

QUANDO NÃO SOMOS INTELIGÍVEIS É PORQUE NÃO SOMOS INTELIGENTES

Frase do grande escritor francês Victor Hugo (1802-1885), autor de romances memoráveis, de grande sucesso de crítica e público. Estreou, porém, com um livro de poesias clássicas aos 20 anos. Talvez por ser também poeta soube conciliar na prosa o interesse de leitores e o refinamento da linguagem, sem relaxamento dos padrões estéticos. Entre seus romances mais conhecidos no Brasil estão Os trabalhadores do mar e Os miseráveis. Era adepto da clareza de estilo, conforme ilustra a frase acima. E o poeta Gaúcho Mário Quintana, que traduziu algumas de suas obras, emitiu juízo semelhante: "Quando o leitor não entende o que o escritor escreve, um dos dois é burro".

QUEM NÃO ESTÁ CONOSCO, ESTÁ CONTRA NÓS

Esta frase nasceu dos evangelhos. São Mateus, em seu capítulo 12, versículo 30, e São Lucas, no capítulo 11, versículo 23, a registram como tendo sido dita por Jesus, usando os pronomes no singular: "Quem não esta comigo, está contra mim". Mas foi o ditador da Itália Benito Mussolini (1883-1945) quem a passou para o plural, proclamando-a num momento decisivo do fascismo e tornado-a lema de suas ações num teatro de Roma, em 1924, dois anos depois de ter subido ao poder. Também os integralistas brasileiros copiaram o dito do duce, adaptando-o aos seus propósitos, muito semelhantes ao fascismo italiano. Muitos, porém, estavam contra os fascismo. No fim eles ficaram sozinhos e foram vencidos, apesar de terem liderado movimentos capazes de arrebatar multidões.

QUEM NÃO SE COMUNICA SE TRUMBICA

Esta frase é de autoria do maior animador de auditórios da televisão em todos os tempos, um gênio em seu ofício, o médico Abelardo Barbosa, mais conhecido como Chacrinha (1918-1988). Não apenas cunhou a frase, como foi o primeiro a seguir o que ensinava, destacando-se em diversas redes de TV como comunicador de méritos notáveis, sempre imitado e jamais igualado. Sua influência nos meios de comunicação de massa estendeu-se também à língua portuguesa, resultando em alguns neologismos, de que é exemplo o termo chacrete, designando as bailarinas que faziam a coreografia de seus programas.

QUE SEJA EM NOME DE DEUS

Em nossa civilização ocidental e cristã, Deus nem sempre foi invocado para atos dos quais a humanidade possa orgulhar-se. Muitas barbaridades já foram cometidas em seu nome, apesar de um dos mandamentos ordenar que não seja invocado o seu nome santo em vão, quanto mais para sancionar atos perversos. Um dos piores exemplos de tal inovação está no filme Em nome de Deus, dirigido por Clive Donner, cujo o tema é a história de amor vivida por Abelardo (1079-1142) e Heloísa (1101-1164), cujos corpos repousam hoje lado a lado no cemitério Pére Lachaise, em Paris. Abelardo tinha 39 anos e Heloísa, sua aluna, 17, quando se apaixonaram perdidamente, tendo vivido linda e trágica história de amor. Naquele tempo, as escola ainda eram anexos das sacristias e era exigida a castidade dos docentes. Culto e inteligente, Abelardo conhecera Heloísa por mãos do tio dela, o cônego Fulbert. Tendo a moça engravidado, Abelardo resolveu abandonar a ordem religiosa e desposá-la. Não havia impedimento nenhum, já que ele não recebera ainda as ordens maiores, mas a família da moça não aprovou a solução. Indignado, o cônego contratou bandidos para prender e castrar Abelardo. Depois de recluso num convento, Abelardo escreveu várias obras de teologia. Denunciado como herético, foi levado a um tribunal presidido por são Bernardo (1090-1153), conselheiro de reis e papas e pregador da segunda cruzada. O resultado foi sua condenação. Abelardo recorreu a Roma e morreu durante o julgamento de sua apelação. Quanto a Heloísa, também entrou para um convento, do qual foi madre superiora, tendo vivida ainda 22 anos depois da morte do amado. Nunca mais teve outro amor. Pudera! O primeiro que viveu teve conseqüencias terríveis para o amado e, indiretamente, para ela também, claro, já que ainda não havia prótese. O próprio Abelardo narrou seus infortúnios no livro Histórias de minhas desgraças. François Villon e Eugene Scribe, entre outros, escreveram sobre o tema. Há também diversas biografias desses amantes que protagonizaram uma das mais célebres história de amor.

RASGAR SEDA

A sabedoria popular costuma resumir seus ensinamentos em diretos e provérbios, quase sempre ligados a acontecimentos da vida cotidiana, mas sua permanência na memória depende dos registros escritos. Com a frase acima, não se deu diferente. Foi sempre sinônimo de elogios exagerados e está presente numa das comédias do fundador do teatro de costumes no Brasil, o dramaturgo Luís Carlos Martins Pena (1815-1848), em cena na qual um vendedor de fazendas vai à casa de uma moça para cortejá-la e, como pretexto, oferece-lhe alguns panos "apenas pelo prazer de ser humilde escravo de uma pessoa tão bela". Retruca a moça: "Não rasgue a seda, que esfiapa-se".

RICO RI À TOA

É provável que esta frase tenha sido cunhada do Rio de Janeiro, dada a conhecida verve dos cariocas. Transformada mais tarde em bordão de programas de rádio e televisão, foi também título de um filme. Um de seus registros mais notáveis foi feito pelo jornalista e poeta Paulo Mendes Campos nos anos 40, ao receber uma foto do presidente Getúlio Vargas (1883-1954) para legendar. Como de hábito, Vargas estava sorrindo, enquanto nas rádios tocava conhecida marchinha que dizia: "Bota o retrato do velho outra vez/ bota no mesmo lugar/ sorriso do velhinho faz a gente trabalhar". Ao ver sua foto com a legenda "Rico ri à toa", o próprio presidente achou graça no feito do poeta-jornalista.

SABER É PODER

Caiu na boca do povo esta frase que dá conta dos poderes do saber. Foi originalmente escrita pelo filósofo e chanceler inglês Francis Bacon (1561-1626), um dos criadores do método experimental nas ciências. Foi ele quem tornou a pesquisa independente do princípio da autoridade e do método dedutivo ao formular sua teoria da indução. No século XVI, as finalidades sociopolíticas do saber não eram tão óbvias como atualmente, sendo o filósofo um precursor nessa questão, dando importância social aos conhecimentos científicos. É frase especialmente significativa no Brasil contemporâneo, já que o saber é e está no poder com o sociólogo Fernando Henrique Cardoso.

SAIR À FRANCESA

O significado desta frase é sair de uma festa ou cerimônia sem se despedir. Pode ter origem em costume francês ou na expressão "saída franca", indicando mercadorias sem impostos, que não precisam ser conferidas. Como os franceses primam justamente pela etiqueta, não concordaram com a frase e a mudaram para "sair à inglesa". Alguns pesquisadores situam o surgimento da expressão na época das invasões napoleônicas na Península Ibérica (1810-1812), mas o escritor português Nicolau Tolentino de Almeida (1740-1811), cuja poesia satírica visava aos usos e costumes de Lisboa, registrou-a muito antes nestes versos: "Sairemos de improviso/ despedidos à francesa".

SÃO TODOS FARINHA DO MESMO SACO

Esta frase, que tem o fim de desmascarar pessoas que fingem ser o que não são, nasceu de uma metáfora que compara os homens aos trigos e seus derivados. A farinha de boa qualidade é posta em sacos separados para não ser confundida com a de qualidade inferior. Quando indivíduos falsos se arrogam em críticos severos de outros de quem podem ser na verdade cúmplices, sócios ou amigo, surge esta frase para dar conta de que não há diferença entre eles. Originalmente apareceu em latim: "Homines sunt ejusdem farinae" (são homens da mesma farinha). O famoso escritor francês Honoré de Balzac (1799-1850) usa a expressão com freqüência em seus romances: "C’est sont des gens de la même farine", que em português foi traduzida com leve alteração.

SE DUVIDAS DE TI MESMO, JÁ TE VENCERAM ANTECIPADAMENTE

Esta frase é de autoria do famoso dramaturgo e poeta norueguês Henrik Johan Ibsen (1828-1906), que escreveu célebres peças de teatro, várias delas encenadas também no Brasil, como Peer Gynt, Casa de bonecas e O pato selvagem. Depois de muito trabalho e de ele perambular por várias cidades européias, seus escritos tiveram influência decisiva na cultura ocidental, a ponto de seu nome prestar-se ao estabelecimento do ibsenismo, atitude intelectual marcada pela condenação das hipocrisias sociais, que encontraram em seu teatro realista e moderno a sua melhor expressão artística. O dramaturgo teve uma vida atribulada. Ainda que não houvesse a estrutura da casa-grande e da senzala na Noruega, aos 18 anos ele teve um filho ilegítimo com uma das empregadas de sua família.

SER HOMEM DE BOA – FÉ

No capitólio romano havia o tempo da Bona Fides, Boa Fé, cuja festa era celebrada a 1º de outubro. Transações privadas precisavam ter fides publica, fé publica, que garantia a convivência social mediante a confiança que os cidadãos deveriam ter uns nos outros. Os que ali faziam promessas e depois as descumpriam, ainda antes da sistematização do direito, eram pessoas de má-fé, expressão que atravessou os séculos e ainda é usada. Já ser homem de boa-fé é ser pessoa de bem, em cuja palavra se pode confiar, ainda que designe também o homem simples, que em boa-fé pode ser enganado pelo de má-fé. Marco Túlio Cícero (106-43 a.C.) registrou a expressão numa de suas famosas orações.

SIGAM-ME OS QUE FOREM BRASILEIROS

Esta frase foi pronunciada por Luís de Lima e Silva, o duque de Caxias (1803-1880), patrono do exército brasileiro, em momento dos mais dramáticos e decisivos da guerra do Paraguai, a Batalha de Itororó, em 4 de Dezembro de 1866. Era vital para as tropas aliadas atravessar o rio Itororó, mas os paraguaios infligiam numerosas baixas aos brasileiros. À beira da derrota, Caxias desembainhou a espada, gritou a frase com entusiasmo descomunal, tomou a dianteira, atravessou a ponte, acompanhado por toda a tropa, e venceu a batalha. As perdas brasileiras foram de 1864 homens, entre os quais havia 45 oficiais.

SOMENTE O TRABALHO GARANTE À MULHER UMA LIBERDADE COMPLETA

Os anos de pós-guerra trouxeram um novo olhar sobre as mulheres. Para as mudanças que se seguiram foi fundamental a reflexão da própria mulher sobre a condições femininas e suas sutis complexidades. Os novos reconhecimentos sociais obtidos pelas lutas femininas levaram a uma redefinição dos papéis ocupados pelas mulheres em fábricas, empresas e universidades. A francesa Simone de Beauvoir (1908-1986), autora desta frase, foi uma das principais responsáveis pelas novas conquistas, exercendo influência decisiva sobre homens e mulheres com seus livros e seu estilo de vida. Reconhecida como romancista, foi, porém, com um audacioso estudo sobre a mulher, O segundo sexo (1949), que obteve sucesso internacional.

SURDO COMO UMA PORTA

As paredes tem ouvidos, mas as portas são surdas. Os antigos romanos faziam suas oferendas à deusa porta, suplicando-lhe favores, beijando-a, molhando-a com lágrimas, perfumando-a e enfeitando-a com flores. Tinham também o costumes de gritar diante de uma porta fechada, dirigindo-lhe injúrias para desabafar, o que faziam também à própria deusa quando não tinham seus pedidos atendidos. O escritor romano Festus registra o costume, denominando occentare ostium (injuriar a entrada, a porta), que vigorou ainda por vários séculos durante a era cristã. No Brasil pode ter havido influência das cancelas e portões cujos gonzos emperravam e impediam o som das portas, que era sinal de que estavam funcionando bem. Porta surda era aquela que não podia ser aberta, a não ser com muita dificuldade. O poeta brasileiro Alberto de Oliveira (1857-1937) atribuiu sentimento e inteligência a porta no soneto "A vingança da porta". Os ingleses acham que surda é apenas a maçaneta: "deaf as a door knob". E os franceses, sempre preocupados com a culinária, dizem "sourd comme un pot" (surdo como uma panela).

TEM PAI QUE É CEGO

Esta frase tornou-se famosa por expressar a superproteção paterna que impede o pai de ver o que realmente se passa com seus filhos. Consolidou-se em programa de televisão do jornalista, ator, humorista e escritor José Eugênio Soares, mais conhecido como Jô Soares, que representa o pai excessivamente indulgente com seu filho. Com sua verve habitual, Jô encarnava um personagem que não via certas tendências do rebento, apesar de o comportamento do filho demonstrar o contrário do que apregoava. Durante muito tempo foi divertido bordão dos programas O planeta dos homens, Veja o gordo, Viva o gordo. Atualmente Jô, que consegue conciliar humor com refinamento cultural e popularidade, apresente o programa Jô Soares onze e meia no SBT.

TODA A VERDADE DEVE SER REINVENTADA

Esta frase é do psicólogo e educador suíço Jean Piaget (1896-1980). Suas teoria sobre o desenvolvimento do pensamento e da linguagem no homem tiveram efeitos profundos na educação neste século. Dono de inteligência deslumbrante, publicou os resultados de sua primeira pesquisa aos 10 anos e aos 22 já era doutor em biologia. Sua obra inclui a publicação de 70 livros e 300 artigos. Aos que perguntavam de onde tirava tempo para escrever tanto, respondia que não precisava ler Piaget. Era uma forma bem-humorada de reconhecer que seus escritos eram de leitura indispensável.

TODO PODER EMANA DO POVO E EM SEU NOME É EXERCIDO

Esta frase compõe o primeiro parágrafo de várias constituições brasileiras e estão presentes também na que está em vigor, promulgada a 5 de outubro de 1988, que substituiu a de 1967, maculada por atos institucionais. A primeira foi outorgada em 1824 por dom Pedro I. A seguinte, de 1891, já foi republicada e pautou-se na dos Estados Unidos, em que o presidente é figura com mais poderes do que um imperador. Seguiu-se a de 1934, substituída pela de 1937, outorgada por Getúlio Vargas. A de 1988, como a de 1946, foi fruto de uma constituinte. As fases lembram que os poderosos estão em seus cargos a serviço do povo.

TRISTEZA NÃO PAGA DÍVIDAS

Esta frase já fora registrada no século XVII, mas tornou-se ainda mais popular nos anos 40 deste século quando o famoso ator, compositor e comediante Oscar Lourenço Jacinto da Imaculada Conceição Tereza Dias, mais conhecido como Oscarito (1906-1970), o rei das chanchadas das lendária companhia cinematográfica Atlântica, estreiou um filme com este título. Era a primeira das 35 comédias musicais em que atuou. O sentido da frase é que as pessoas em dificuldades financeiras não devem entristecer-se. O povo brasileiro acolheu este provérbio como nenhum outro. Somos um povo alegre e devemos uma barbaridade. Somadas, nossas dívidas externas e internas passam dos 400 bilhões de dólares.

TUDO NOS TRINQUES

Estar nos trinques ou andar nos trinques significa vestir-se com elegância. Alguns pesquisadores deram como origem a palavra francesa tringle, cabide, que no Brasil passou a ser pronunciada e grafada como trinque, significando o móvel em que os alfaiates penduram as roupas já prontas que os clientes ainda não vieram buscar. Com o sentido de vestir-se com apuro, aparece no causo "Contrabandista", do livro Contos gauchescos e Lendas do sul, de Simões Lopes Neto: "Surgiu dum quarto o noivo, todo no trinque, de colarinho duro e casaca de rabo". Mas é possível que tenha havido mistura com o também francês trinquer, brindar tocando os copos, já que em tais ocasiões as pessoas estariam bem vestidas. Em Direito por linhas tortas, de Joaquim José da França Júnior, o personagem Feliberta recebe a seguinte recomendação: "Hás de andar no trinque, metendo inveja a essas sirigaitas, que não te chegam aos calcanhares".

UMA ANDORINHA NÃO FAZ VERÃO

Esta frase, que traz em sua origem a necessidade da cooperação entre todos, tornou-se ainda mais popular depois do carnaval de 1934, quando foi verso-título de uma das célebre marchinhas de Lamartine de Azevedo Babo (1904-1963), com melodia do também famoso compositor, cantor e autor de roteiros cinematográficos, Carlos Alberto Ferreira Braga, um carioca mais conhecido sob os pseudônimos de João de Barro e Braguinha. Apesar da letra lírica, mas irônica, a música tinha um tom já nostálgico naqueles anos: "O povo anda dizendo que esta luz do teu olhar a Light vai mandar cortar". Os dois compositores dominaram os carnavais brasileiros por várias décadas, sendo autores de muitos outros sucessos.

UM GÊNIO COMPÕEM-SE DE 2 POR CENTO DE TALENTO E 98 POR CENTO DE TRABALHO

Esta frase, que depois passou a ser citada com freqüência, foi originalmente pronunciada pelo célebre músico e compositor alemão Ludwig Beethoven (1770-1827), que deu boas razões para passarmos a acreditar em seu famoso provérbio. Com efeito, mesmo sendo o gênio que era, trabalhou duramente para nos embevecer e deixou uma obra musical que incluiu 32 sonatas para piano, 17 quartetos, 9 sinfonias, 5 concertos para piano e 1 para violino, sem contar sua célebre ópera Fidélio, a Missa solene e diversas aberturas. O grande músico, que tanto trabalhou, teve ainda que enfrentar uma surdez que o atacou muito cedo.

VENCEREIS, MAS NÃO CONVENCEREIS

Esta frase, que depois se tornaria mais que famosa, lendária, foi pronunciada pelo professor e escritor espanhol Miguel de Unamuno, então reitor da universidade de Salamanca, em outubro de 1936, interrompendo o discurso de um general franquista que deu o seguinte viva: "Morra a inteligência!" O magnífico surpeendeu a todos, principalmente os que aplaudiam o militar, pronunciando a frase e acrescentando: "Este é o templo da inteligência e eu sou seu sumo sacerdote. Vencereis porque tendes força bruta, mas não convencereis porque convencer significa persuadir e para isso necessitais algo que não tendes: razão e direito". O reitor foi destituído e morreu no dia 31 de dezembro.

VIGIAI E ORAI

A história desta frase prende-se aos Evangelhos, na famosa recomendação de Jesus aos discípulos, alertando-os de que permanecessem vigilantes. O sono foi sempre um inimigo duro de vencer e os discípulos estavam dormindo quando soldados romanos vieram prender os mestres. O imperador Vespasiano (9-79) já era comandante militar poderosíssimo quando dormiu durante um cortejo. O rei da Grã Bretanha Eduardo VIII, duque de Windsor (1894-1972), conta em Memórias de um rei que vários soberanos dormiam no desfile e eram acordados pelas mulheres para saudarem o súditos. Políticos de todos os países são freqüentemente surpreendidos em cerimônias importantes por fotógrafos ou câmeras que flagram o sono indevido. Nessas horas, quem deve vigiar é o fotógrafo ou o câmera.

VIVER É LUTAR

Quem popularizou esta frase no Brasil foi o poeta romântico Antônio Gonçalves Dias (1823-1864), que fez do índio o grande personagem de sua obra. A frase foi transformada em verso no famoso poema "Y-Juca-Pirama", em que são destacadas a coragem e a pertinácia dos guerreiros indígenas. O verso funciona como conclusão dos anteriores, que advertem: "A vida é combate/ que os fracos abate". Antes, porem, que o escritor tivesse aproveitado a expressão em sua obra, o filósofo latino Sêneca (4 a.C. –65 d.C) fizera seu registro, também como recomendação, numa de suas obras Epístolas morais a Lucílio: "Vivere militare est", cuja a tradução literal resulta exatamente na frase cunhada pelo brasileiro.

Expressões interessantes (Retiradas dos livros didáticos de Douglas Tufano)

Amarrar a cara.
Significa zangar-se, ficar contrariado, fechar a cara. Exemplo: Depois de ter sido surpreendida pelo professor, ela amarrou a cara até o fim da aula.

Bafo de onça.
O bafo de onça é uma coisa horrível. Dá impressão de que a pessoa não escova os dentes ou tem um monte de cáries. A onça é animal carnívoro e se lambuza na hora de comer a caça, por isso fede muito e sua presença é detectada à distância na mata. Essa informação é de meu filho, Hélder Nagai Consolaro, biólogo, mas não fui constatar se é verdade, nem desejo, pois tenho medo de onça. Devido a isso, o hálito fétido passou a se chamar popularmente de bafo de onça. Que significa também o hálito de quem está (ou esteve) alcoolizado. Mais uma expressão do mundo rural que é usada no mundo urbano. (Autor da pesquisa: Hélio Consolaro)

Cair como um patinho.
Significa ser totalmente enganado.
Exemplo: Ele caiu como um patinho naquela armadilha.

Cara de quem comeu e não gostou.
Tem o sentido de cara que expressa irritação ou mesmo mau-humor. Exemplo: Seus planos não deram certo e ele chegou em casa com cara de quem comeu e não gostou.

Catar milho.
Diz um anúncio de software: "Catar milho, olhar para o teclado é tudo coisa do passado". Que quer dizer a expressão "catar milho"? Segundo o dicionário Aurélio, ela significa datilografar, digitar muito vagarosamente.

As expressões populares não têm autor, surgem na dinâmica da língua. De repente, se tornam moda e ficam. Quando não havia a mídia globalizante, tais expressões tinham caráter regional. Ainda hoje persistem alguns regionalismos, mas com menos freqüência.

Na sociedade de consumo, massificante, as expressões populares têm outro criadouro. Basta um ídolo usar uma expressão na tevê que se torna logo de domínio público.

A expressão catar milho mostra a influência do mundo rural no urbano. Milho aqui está no lugar de grão: grão de milho, que é parte da espiga.

Se alguns grãos caem no chão, se esparramam, cata-se um por um, como as galinhas fazem com o bico no terreiro quando se joga milho para elas.

Catar milho tem um sentido metafórico, porque datilografar ou digitar lentamente, com um dedo só de cada mão, próprio de quem não fez curso para adquirir agilidade nessa tarefa, é semelhante ao ato de catar cada grão de milho no chão.(Autor da pesquisa: Hélio Consolaro)

Chorar de barriga cheia.
Reclamar sem motivo, pois já conseguiu o que queria. Exemplo: Você já ganhou os presentes que queria, portanto pare de reclamar, pare de chorar de barriga cheia.

Com o rabo entre as pernas.
Tem o sentido de estar humilhado, envergonhado, como um cachorro que é enxotado de algum lugar. Exemplo: Ele foi advertido na frente de todos por ter feito o que não devia e saiu da sala com o rabo entre as pernas.

Dar as caras.
Significa aparecer. Exemplo: Faz muito tempo que ele não dá as caras por aqui.

Dar com os burros n'água.
Sair-se mal, fracassar. Exemplo: Ele quis bancar o espertinho e acabou dando com os burros n'água. Bem feito!

Dar com as línguas nos dentes.
Revelar um segredo, falar o que não devia. Exemplo: Eu disse que não podíamos confiar naquele sujeito! Ele deu com a língua nos dentes e contou a outras pessoas o nosso plano.

Dar o braço a torcer.
Significa reconhecer um erro ou uma derrota. Exemplo: Ele não tem razão nesse caso mas não quer dar o braço a torcer.

Dar com o pau.
Fugir. Ou pode também ser "em abundância". O pau figura em várias expressões. Figura "a dar com o pau". A origem vem dos navios negreiros. Os negros preferiam não comer par morrer durante a travessia. Então foi criado o "pau de comer", que era atravessado na boca dos escravos e os marinheiros jogavam sopa e angu lá dentro "a dar com o pau".

Dizer cobras e lagartos.
Significa dizer coisas que ofendem outra pessoa. Exemplo: Ele ficou nervoso e disse cobras e lagartos de seu chefe.

Dormir no ponto.
Quer dizer descuidar-se, não agir na hora certa. Taxista que dorme no ponto perde corrida. Exemplo: Ele dormiu no ponto, perdendo a oportunidade de fazer um bom negócio.

Ficar de olho.
Significa vigiar. Exemplo: Fique de olho naquele sujeito e me avise quando ele sair do bar.

Ficar de queixo caído.
Significa ficar muito admirado. Exemplo: Ele ficou de queixo caído quando viu o espetáculo. Nunca tinha visto nada tão bonito.

Ir por água abaixo.
Não dar certo, falhar. Exemplo: Nossos planos foram por água abaixo.

Não dar ponto sem nó.
Tem o sentido de fazer alguma coisa sempre pensando em tirar proveito pessoal, fazer algo com segunda intenção. Exemplo: Ele é interesseiro, só faz o que pode lhe trazer vantagem; ele não dá ponto sem nó.

Pagar na mesma moeda.
Fazer a uma pessoa o mesmo que ela nos fez. Exemplo: Ele sempre me recebeu muito bem em sua casa, por isso devo pagar na mesma moeda e recebê-lo bem em minha casa.

Pagar o pato.
Significa fazer o papel de tolo, pagando por aquilo que não deve. Exemplo: Ele não participou da briga mas, no fim, pagou o pato: foi o único homem preso pela polícia.

Quebrar o galho.
Significa dar um jeito pra resolver um problema ou uma situação complicada. Exemplo: Ele não tinha convite para a festa, mas o porteiro quebrou o galho, deixando-o entrar pela porta dos fundos.

Querer sombra e água fresca.
Significa querer uma vida despreocupada, sem trabalho. Exemplo: Esse sujeito é malandro, só quer sombra e água fresca.

Querer tapar o sol com a peneira.
Significa querer esconder o que todos estão vendo. Exemplo: Não adianta querer tapar o sol com a peneira; todos já perceberam que vocês dois estão apaixonados.

Sair o tiro pela culatra.
Significa que a intenção de prejudicar alguém volta-se contra o próprio autor. Exemplo: Ele fez isso pensando em enganar os outros e, no fim, o único prejudicado foi ele mesmo. O tiro saiu pela culatra!

Tirar a barriga da miséria.
O leitor Nélson de Souza contou-me num rápido encontro de rua que viveu uma situação de constrangimento quando convidou seu amigo e família para almoçarem em sua casa num certo domingo.
Quando tudo estava posto, depois de tomar algumas cervejas, o anfitrião disse, todo satisfeito:
- Gente, a mesa está posta. Venham tirar a barriga da miséria!
O visitante, irritado, respondeu:
- Em casa, nós comemos muito bem! Ninguém é mendigo, nem veio esmolar!
A família visitante quase deixou o almoço na mesa, não chegou a tanto, mas a gostosa comida, feita com muito carinho, quase não descia.
O visitante agiu com muito rigor, foi ríspido. Tirar a barriga da miséria, conforme o dicionário Houaiss, quer dizer aproveitar com muito prazer alguma coisa de que até então carecia, nada a ver com Fome Zero e mendicância.

Tomar chá de sumiço.
Tem o sentido de desaparecer de um lugar que se costumava freqüentar, sem dar notícia. Exemplo: Quando percebeu que a polícia estava atrás dele, o sujeito tomou chá de sumiço.